Gritou alto no meu ouvido, e eu não sabia se era bom ou ruim. Sabe, as vezes a gente não nota quando as pessoas estão ficando bravas conosco, e quando a gente pergunta o por que, a resposta é sempre que houve uma tal de explosão, ou que foi algo guardado por muito tempo, ou então uma pilha de coisas ruins que supostamente fiz e que saiu tudo junto. Acho que eu preferia que viesse em parcelas, como quando você compra algo caro que não pode pagar.Sabe quando vêm àquelas raivas horríveis onde você faria qualquer coisa para fazer uma pessoa parar de fazer algo? Poxa, aqueles gritos eram muito desagradáveis e já estavam me irritando. Se pelo menos eu soubesse do que eram? Mas nunca que eu iria descobrir. Se eu bem a conheço, a cabeça dura não sabe conversar.
Ela sentou no sofá de veludo vermelho da casa dos pais dela, que não estavam em casa nesse maravilhoso
- Você me paga!
Bom. Não tão normal assim. Acho que a essa altura do campeonato eu não podia esperar algo mais inteligente da parte dela. Em pensar que eu quase tive a esperança de saber o por que dessa raiva maluca dela.
- Você não quer conversar sobre o que quer que eu lhe pague? – perguntei com aquela cara de cão molhado.
- Não!
Poxa, mas assim fica difícil. Ela saiu aos trancos e barrancos da sala e foi para o banheiro. Na melhor das hipóteses, ela deve estar na TPM.
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