terça-feira, 19 de junho de 2012


Sim, não funcionaria como não funcionou da outra vez que tentamos. A culpa toda era da fita-durex. Marca boa, sabe? Aquelas que não soltam nem quando chove em cima. Não ia dar pra fingir que não existia nada. Daí então tá, seguindo a vida como se não tivesse acontecido nada. Até rola, assim, por bastante tempo, mas chega aquele dia da recaída, que eu passo foto por foto até descobrir que eu gostava mesmo de cada detalhe estranho. Esse dia vem do nada, daí depois eu esqueço.

Eu não consigo mais ter vontade de fazer coisas. Não sinto aquele calor tenso dentro de mim. Até posso vir a fazer, mas não seria de verdade, nem por sacanagem. Caricias e vontades, é bom, mas é diferente. Eu nem me lembro do que exatamente eu gostava, apenas não sinto como eu gostaria de sentir.

Eu me sinto bem. Eu me sinto ótima, na verdade. Tanto comigo, quanto por te deixar ir. Mas quando eu olho alguma foto tua, meu mundo desmorona por uns instantes. Geralmente é bom, por que eu me lembro das coisas boas, das engraçadas. Eu lembro que eu realmente te quis na minha estante, e hoje eu me transformaria em uma estatuazinha imóvel só para poder estar perto de você.

Vontade de te roubar, e te levar conhecer o mundo, por que uni, apenas conhecemos o meu quarto.

quinta-feira, 14 de junho de 2012


Sensação de liberdade. 
Sinto-me eu novamente.



Só que eu queria saber o que é esse sentimento gostoso no peito misturado com saudade.

segunda-feira, 11 de junho de 2012


Seria melhor ter fechado os olhos, teria sido a escolha certa tirar os pés do chão. Mas às vezes quando você está por cima você acaba não enxergando quem está por baixo.

 Talvez a preocupação da noite seja com os outros, ou talvez não devesse ter dado importância para pessoas que nem se importam comigo, para uma pessoa que apenas passa.

Como um parasita, você só precisava de alguém, um alguém que pudesse fazer passar o tempo, um alguém que nem o vento percebe.

Eu tentei levantar a sua auto-estima, mas a minha ficou lá embaixo. Eu tentei sair desse poço, mas o buraco que você fez era fundo demais.

Tentamos achar cicatrizes, cicatrizes que simplesmente foram criadas para suprir o nosso medo maior, o medo do fim, do fim... Do fim.


Antonio Carlos de Marchi de Conto
Primeiro texto de alguém que não eu.
Jonas estava no escuro. Ele sabia que faltava algo, e preenchia esse vazio com porcarias. A principio ele sabia que se tratava disso, mas com o passar dos dias ele se esqueceu, e lidava como se fosse um tipo diferente de remédio. Só que esse remédio não se compra na farmácia.

Tudo começou com o tira duvidas. Será que é tão ruim como dizem nos noticiários? Ou será que é tão bom, como falam aqueles que usam? Apadrinhado Jonas foi, e foi mais fácil do que imaginou. Não doeu, não o fez sofrer. Ao contrario disso, se sentiu mais livre. Sentiu-se moderno.

Ele não precisava disso, mas usava quando tinha a oportunidade. Nesse meio tempo experimentou novos “remédios”. Era apenas uma vez por mês, ou a cada 15 dias, ou então, apenas nos fins de semana. Ele passou a ter semanas mais estressantes, ansiava pelo fim de semana onde poderia extravasar, e era aí que ele começou a se tratar com o suposto remédio. Um anti-stress, um libertador, uma loucura momentânea. Mas ele não precisava disso. Quando ele quiser parar, ele para.

Então passou mais um tempo, e as semanas eram mais longas, mais trabalhosas. Os fins de semana mais curtos, mais loucos, mais cansativos. Ele parou de sair nos fins de semana, mas se reunia com seus amigos para tomar remédios. A família passou a não entende-lo mais. Era um olhar e ele já sabia que o estavam julgando, querendo falar alguma coisa que ele não queria escutar. Jonas começou a sair mais, só voltava para casa para dormir. Só que ele não tinha o que fazer se não fosse usar remédios, então o consumo aumentou do fim de semana para a semana toda. Mas ele não precisava disso. Quando ele quiser parar, ele para.

Já que usava pela noite, e pela manha a misera ressaca do remédio o atormentava, começou a tomar pela manha para cobrir o efeito da noite, e ao meio dia tinha que dar mais uma calibrada. Só que o dinheiro não era o suficiente para o remédio, o rendimento no trabalho não era o suficiente para a necessidade do local, e o humor de Jonas para com a família era o pior que ele já teve. Parecia raiva. Ele precisava de paz, e tomava mais remédio. Mas ele não precisava disso. Quando ele quiser parar, ele para.

Essa brincadeira só terá fim quando Jonas fizer escolhas, e é ele mesmo que tem que achar o ponto de equilíbrio, a hora certa, o motivo certo, para fazer o que ele achar certo.

Nem tudo que cura é chamada de remédio. Nem todo o remédio cura. Nem toda a ferida é aberta por fora.