Da uma baixa na estima naqueles dias, parece que você se
transformou em uma completa idiota. Pelo menos você se sente assim. Passa por
uma fase de desaprovação de si mesma. Não consegue se olhar no espelho. Acha que
o que fala é bobo, nada interessante. Até o dia que você consegue olhar para o
espelho e passa a enxergar um pouco mais fundo.
São aqueles desenhos vistos de longe, aqueles desenhos
estranhos. São aquelas pichações nas paredes dos prédios. Aqueles desenhos
infantis na escola primária. Um simples risco na mesa da cafeteria. E tudo tem
um sentido de acordo.
E então você sai do trabalho e vai para em algum lugar para
lanchar. Um relaxamento mental na mesa mais próxima do seu lugar favorito. Aquele
momento down, que você usa para não pensar em nada. Seus ouvidos passeiam pelo ambiente,
sentindo o aroma do som do jornal sendo lido, dos talheres batendo levemente nos seus
pratos, do tomar barulhento do senhor e seu café.
O gosto do amargo matinal não se compara ao gosto da
infelicidade do rapaz deitado na rua pedindo uns trocados. Mal sabe ele que é
assim que se segue o livre arbítrio, e que a única falta de informação que ele
é realmente desprovido é essa. A escolha de deitar e murmurar choroso para o
seu cachorro o quão o mundo é mau. E a teimosia da comodidade da calçada gelada
continua.
E quando qualquer um levanta a cabeça para olhar o sol,
famoso como Deus por mais de 10.000 anos, e notar como as cores, gostos e
aromas se tornam mais açucarados quando são vistos brilhando. Por que não doe
chorar de felicidade, e a sensação é de cura. Ninguém deve fazer o que não se
sente a vontade. A vida deve ser enxergada com uma película de amor como se
fosse lentes cor-de-rosa. Transparente. Apenas deitar e beijar o céu com o
pensamento, e se sentir completo.
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