Identidade digital. Apenas dados, números. Um código binário
perfeito. Define perfeitamente o que você é. A cabeça faz a leitura do que deve
ser um sentimento, uma atitude, um gesto. Tudo na sua devida ordem, na sua
devida intensidade. Como a teoria é linda!
Olhando pela janela correta, vemos carne e ossos. Alguns
litros de sangue correndo pelas veias, pelo corpo, e um coração em pleno
funcionamento, bombeando o mesmo sangue para todas as partes do corpo. O
coração serve para isso mesmo. O mesmo sangue que passa pelo coração, passa
pelo cérebro, e o mantém saudável. E este cérebro, por sua vez, é a identidade,
porem, não digital. Crua e fria, cruel e nervosa, sensível e dramática. Ligado
por pulsos elétricos microscópicos, ligando um no outro e o fazendo mover o
corpo, pensar em todas as coisas, sentir da melhor a pior sensação.
Digamos que esse mesmo cérebro tenha um controle próprio,
onde desliga e liga partes dele mesmo quando você quer, quando você precisa,
quando você prefere.

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