terça-feira, 31 de julho de 2012


Não. Eu não sei a onde estou.

Às vezes não sei quando é sonho ou quando é realidade. É tão natural eu aceitar que está chovendo ou fazendo sol, que na verdade me sinto covarde de não exigir que o mundo seja da maneira que eu desejo. Parece tão certo ter que choramingar pelas coisas não serem do jeito que eu quero, justamente por que todos os outros fazem isso. Não faz o meu estilo de viver. Seria como se eu me mantivesse o tempo todo atordoado por não ter tudo da minha maneira. Será que quem está certo? Eu ou todos os outros?

O que será o certo? E se eu considerar a minha verdade como única? Todos os outros estariam errados, e apenas eu teria certeza do certo? Como se eu fosse um tipo de Deus, mas ninguém enxerga? Eu acho que isso também não faz o meu estilo.

Eu sempre soube que eu não estou no lugar certo. Eu não me sinto em casa, não importa onde seja. Eu sei que nem é nesse mundo, e eu sinto tanta falta de algo que eu não lembro. Sinto-me incapaz, sem meus poderes de mudar tudo, fazer o melhor de mim, poder enfim viver, voar, mudar sem medo, minha pele, meu ser, meu não ser, e me tele transportar para o então tá. E seguir, sem rumo. Conhecer as cores. Às vezes vem uns flashes de algum lugar que eu não vi, de algumas sensações que eu nunca senti na carne, e é tão gostoso.

E ver as pessoas que amo. Será que elas olham por mim? Será que elas se sentem orgulhosas de mim? A minha arte, a minha maneira de lidar com tudo. A forma que eu aprendi a me defender. A minha falta de contra-ataque. A minha necessidade insana de sanidade. O meu olhar dark procurando o mais puro dos sentimentos.

Se eu fosse me desenhar, teria pés e mãos grandes, que teriam a capacidade de percorrer mundos, e pegar oportunidades. Teria tronco forte para me manter firme. Garganta apertada. E cabeça com todas as cores possíveis e as impossíveis, pois minha mente voa. Voa tão rápido e longe, e muda, e tantas mais coisas que palavras seriam inúteis para expressar.

E grave, e delicada. Racional e sentimental. Não existem limites. Vão além dos limites do corpo. E pode machuca-lo, da maneira excepcional que machuca. Por que essa mente precisa de muita paz. A calma, o branco e o nada. Pensamento suicida não iria mudar a situação. Todos sabem. E os mais sábios sabem que onde há muito amor, há muito ódio. Onde há muita paz, há confusão. E tudo isso é na mesma proporção, a diferença é: para que lado está?

Não. Eu não sei a onde estou. E sinto falta de tanta coisa que eu não me lembro. Garganta apertada. Expressão presa. Medo.

Cadê o meu eu, além daqui? Onde é o meu lugar? Será que existe algum lugar pra mim nesse mundo?

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