Ele não precisava disso, mas usava quando tinha a
oportunidade. Nesse meio tempo experimentou novos “remédios”. Era apenas uma
vez por mês, ou a cada 15 dias, ou então, apenas nos fins de semana. Ele passou
a ter semanas mais estressantes, ansiava pelo fim de semana onde poderia extravasar,
e era aí que ele começou a se tratar com o suposto remédio. Um anti-stress, um
libertador, uma loucura momentânea. Mas ele não precisava disso. Quando ele
quiser parar, ele para.
Então passou mais um tempo, e as semanas eram mais longas,
mais trabalhosas. Os fins de semana mais curtos, mais loucos, mais cansativos. Ele
parou de sair nos fins de semana, mas se reunia com seus amigos para tomar remédios.
A família passou a não entende-lo mais. Era um olhar e ele já sabia que o
estavam julgando, querendo falar alguma coisa que ele não queria escutar. Jonas
começou a sair mais, só voltava para casa para dormir. Só que ele não tinha o
que fazer se não fosse usar remédios, então o consumo aumentou do fim de semana
para a semana toda. Mas ele não precisava disso. Quando ele quiser parar, ele
para.
Já que usava pela noite, e pela manha a misera ressaca do remédio
o atormentava, começou a tomar pela manha para cobrir o efeito da noite, e ao
meio dia tinha que dar mais uma calibrada. Só que o dinheiro não era o
suficiente para o remédio, o rendimento no trabalho não era o suficiente para a
necessidade do local, e o humor de Jonas para com a família era o pior que ele já
teve. Parecia raiva. Ele precisava de paz, e tomava mais remédio. Mas ele não precisava
disso. Quando ele quiser parar, ele para.
Essa brincadeira só terá fim quando Jonas fizer escolhas, e
é ele mesmo que tem que achar o ponto de equilíbrio, a hora certa, o motivo
certo, para fazer o que ele achar certo.
Nem tudo que cura é chamada de remédio. Nem todo o remédio
cura. Nem toda a ferida é aberta por fora.
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