segunda-feira, 11 de junho de 2012

Jonas estava no escuro. Ele sabia que faltava algo, e preenchia esse vazio com porcarias. A principio ele sabia que se tratava disso, mas com o passar dos dias ele se esqueceu, e lidava como se fosse um tipo diferente de remédio. Só que esse remédio não se compra na farmácia.

Tudo começou com o tira duvidas. Será que é tão ruim como dizem nos noticiários? Ou será que é tão bom, como falam aqueles que usam? Apadrinhado Jonas foi, e foi mais fácil do que imaginou. Não doeu, não o fez sofrer. Ao contrario disso, se sentiu mais livre. Sentiu-se moderno.

Ele não precisava disso, mas usava quando tinha a oportunidade. Nesse meio tempo experimentou novos “remédios”. Era apenas uma vez por mês, ou a cada 15 dias, ou então, apenas nos fins de semana. Ele passou a ter semanas mais estressantes, ansiava pelo fim de semana onde poderia extravasar, e era aí que ele começou a se tratar com o suposto remédio. Um anti-stress, um libertador, uma loucura momentânea. Mas ele não precisava disso. Quando ele quiser parar, ele para.

Então passou mais um tempo, e as semanas eram mais longas, mais trabalhosas. Os fins de semana mais curtos, mais loucos, mais cansativos. Ele parou de sair nos fins de semana, mas se reunia com seus amigos para tomar remédios. A família passou a não entende-lo mais. Era um olhar e ele já sabia que o estavam julgando, querendo falar alguma coisa que ele não queria escutar. Jonas começou a sair mais, só voltava para casa para dormir. Só que ele não tinha o que fazer se não fosse usar remédios, então o consumo aumentou do fim de semana para a semana toda. Mas ele não precisava disso. Quando ele quiser parar, ele para.

Já que usava pela noite, e pela manha a misera ressaca do remédio o atormentava, começou a tomar pela manha para cobrir o efeito da noite, e ao meio dia tinha que dar mais uma calibrada. Só que o dinheiro não era o suficiente para o remédio, o rendimento no trabalho não era o suficiente para a necessidade do local, e o humor de Jonas para com a família era o pior que ele já teve. Parecia raiva. Ele precisava de paz, e tomava mais remédio. Mas ele não precisava disso. Quando ele quiser parar, ele para.

Essa brincadeira só terá fim quando Jonas fizer escolhas, e é ele mesmo que tem que achar o ponto de equilíbrio, a hora certa, o motivo certo, para fazer o que ele achar certo.

Nem tudo que cura é chamada de remédio. Nem todo o remédio cura. Nem toda a ferida é aberta por fora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário